Funções Polinomiais e Racionais·🧮 Polinómios
Funções Cúbicas e Quárticas

🧮 Polinómios

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Um polinómio é uma expressão algébrica em que somamos (ou subtraímos) termos como axka\cdot x^k, onde aa é um número e kk é um número natural. Aprender a reconhecê-los e a fazer contas com eles é a base para estudar funções polinomiais e racionais.

Definição e termos

Um polinómio na variável xx é uma expressão da forma:

P(x)=anxn+an1xn1++a1x+a0P(x) = a_n x^n + a_{n-1} x^{n-1} + \cdots + a_1 x + a_0

em que:

  • nN0n \in \mathbb{N}_0
  • an,an1,,a0Ra_n, a_{n-1}, \ldots, a_0 \in \mathbb{R} são os coeficientes
  • Cada parcela akxka_k x^k chama-se monómio (ou termo)
  • O grau é o maior expoente cujo coeficiente é diferente de zero (se an0a_n \neq 0, o grau é nn)
  • a0a_0 é o termo independente

Um polinómio diz-se completo se tiver termos de todos os graus de 0 até nn, e ordenado se estiver escrito por ordem (crescente ou decrescente) dos expoentes.

Operações entre polinómios

Com polinómios, podemos somar, subtrair e multiplicar — tudo segue regras intuitivas, desde que tenhas em mente como juntar termos:

  • Soma e diferença: juntam-se os termos semelhantes, ou seja, aqueles que têm o mesmo expoente em xx.
  • Produto: aplica-se a propriedade distributiva — cada termo de um polinómio multiplica todos os termos do outro.
  • O grau do produto é a soma dos graus dos polinómios.

Exemplo (soma e diferença)

Sendo P(x)=2x2+3x1P(x) = 2x^2 + 3x - 1 e Q(x)=x2Q(x) = x - 2, juntamos os termos com o mesmo expoente:

P(x)+Q(x)=2x2+(3+1)x+(12)=2x2+4x3P(x) + Q(x) = 2x^2 + (3 + 1)x + (-1 - 2) = 2x^2 + 4x - 3
P(x)Q(x)=2x2+(31)x+(1+2)=2x2+2x+1P(x) - Q(x) = 2x^2 + (3 - 1)x + (-1 + 2) = 2x^2 + 2x + 1

Repara que 2x22x^2 não tem "par" em Q(x)Q(x) — por isso fica como está.

Exemplo (produto)

Para multiplicar P(x)Q(x)P(x) \cdot Q(x), distribuímos cada termo de P(x)P(x) por cada termo de Q(x)Q(x):

P(x)Q(x)=(2x2+3x1)(x2)P(x) \cdot Q(x) = (2x^2 + 3x - 1)(x - 2)

Passo a passo:

=2x2x+2x2(2)+3xx+3x(2)+(1)x+(1)(2)= 2x^2 \cdot x + 2x^2 \cdot (-2) + 3x \cdot x + 3x \cdot (-2) + (-1) \cdot x + (-1) \cdot (-2)
=2x34x2+3x26xx+2= 2x^3 - 4x^2 + 3x^2 - 6x - x + 2

Por fim, juntamos os termos semelhantes (4x2+3x2=x2-4x^2 + 3x^2 = -x^2 e 6xx=7x-6x - x = -7x):

P(x)Q(x)=2x3x27x+2P(x) \cdot Q(x) = 2x^3 - x^2 - 7x + 2

Divisão inteira (algoritmo da divisão)

Dados dois polinómios A(x)A(x) (dividendo) e B(x)B(x) (divisor), com B(x)B(x) não nulo, existem únicos polinómios Q(x)Q(x) (quociente) e R(x)R(x) (resto) tais que:

A(x)=B(x)Q(x)+R(x)A(x) = B(x) \cdot Q(x) + R(x)

onde R(x)=0R(x) = 0 ou o grau de R(x)R(x) é menor que o grau de B(x)B(x).

Quando R(x)=0R(x) = 0, diz-se que A(x)A(x) é divisível por B(x)B(x).

Regra de Ruffini

Quando o divisor é da forma xαx - \alpha, com αR\alpha \in \mathbb{R}, usa-se a Regra de Ruffini: um método rápido que dispensa a divisão "longa".

Como aplicar

  1. Escreve-se uma linha com os coeficientes do dividendo (todos, incluindo zeros para os termos em falta), por ordem decrescente do expoente.
  1. À esquerda, escreve-se α\alpha — atenção: se o divisor for x+2x + 2, então α=2\alpha = -2.
  1. Baixa-se o primeiro coeficiente. Multiplica-se por α\alpha e soma-se ao próximo coeficiente, e assim sucessivamente.
  1. O último valor é o resto; os restantes formam os coeficientes do quociente (de grau uma unidade inferior ao do dividendo).

Exemplo

Dividir 2x3+5x232x^3 + 5x^2 - 3 por x+2x + 2 (logo α=2\alpha = -2):

Verificamos: 2x3+5x23=(x+2)(2x2+x2)+12x^3 + 5x^2 - 3 = (x + 2)(2x^2 + x - 2) + 1.

O quociente é Q(x)=2x2+x2Q(x) = 2x^2 + x - 2 e o resto é R(x)=1R(x) = 1.

Teorema do resto

Dado um polinómio P(x)P(x) e um número real α\alpha, o resto da divisão de P(x)P(x) por xαx - \alpha é igual a P(α)P(\alpha):

P(x)=(xα)Q(x)+P(α)P(x) = (x - \alpha) \cdot Q(x) + P(\alpha)

Daqui resulta uma consequência muito útil: P(α)=0P(\alpha) = 0 se e só se xαx - \alpha é divisor de P(x)P(x).

Raiz de um polinómio

Dado um polinómio P(x)P(x), dá-se o nome de raiz (ou zero) de P(x)P(x) a qualquer número real α\alpha tal que:

P(α)=0P(\alpha) = 0

A multiplicidade de uma raiz α\alpha de um polinómio não nulo P(x)P(x) é o maior número natural nn para o qual existe um polinómio Q(x)Q(x) tal que:

P(x)=(xα)nQ(x)P(x) = (x - \alpha)^n \cdot Q(x)

Se a multiplicidade da raiz é 1, a raiz diz-se simples.

Exemplo (decomposição em fatores)

Sabendo que 1 é raiz de P(x)=x33x+2P(x) = x^3 - 3x + 2, fatorizar.

Aplicando Ruffini com α=1\alpha = 1: P(x)=(x1)(x2+x2)P(x) = (x - 1)(x^2 + x - 2).

Resolvendo x2+x2=0x^2 + x - 2 = 0 pela fórmula resolvente: x=1x = 1 ou x=2x = -2. Logo:

P(x)=(x1)(x1)(x+2)=(x1)2(x+2)P(x) = (x - 1)(x - 1)(x + 2) = (x - 1)^2 (x + 2)

Aqui, 1 é raiz de multiplicidade 2 (raiz dupla) e 2-2 é raiz simples.

💡 Dicas

  • Para procurar raízes inteiras "à mão", testa os divisores do termo independente, esse é o critério mais rápido.
  • Antes de aplicar Ruffini, garante que o polinómio está ordenado e completo (preenche com 0 os termos em falta).
  • Cuidado com o sinal de α\alpha na Regra de Ruffini: se divides por x+2x + 2, usa α=2\alpha = -2; se divides por x2x - 2, usa α=2\alpha = 2.
  • Um polinómio de grau nn tem, no máximo, nn raízes reais (contando multiplicidades).