A função quadrática é definida por um polinómio do 2.º grau, f(x)=ax2+bx+c, com a=0. O seu gráfico é uma parábola, e as suas propriedades - vértice, zeros, monotonia, extremos e concavidade - dependem dos coeficientes.
Expressão algébrica
A função quadrática pode ser escrita de duas formas equivalentes:
f(x)=ax2+bx+couf(x)=a(x−h)2+k
com a,b,c∈R e a=0, onde (h,k) são as coordenadas do vértice da parábola.
Representação gráfica
f(x)=a(x−h)2+k
O gráfico de uma função quadrática é sempre uma parábola, com vértice em V(h,k) e eixo de simetria na reta x=h.
Se a>0, a concavidade é voltada para cima (a parábola tem um mínimo absoluto)
Se a<0, a concavidade é voltada para baixo (a parábola tem um máximo absoluto)
Propriedades
a>0
a<0
Domínio
R
R
Contradomínio
[k,+∞[
]−∞,k]
Monotonia
Decrescente em ]−∞,h], crescente em [h,+∞[
Crescente em ]−∞,h], decrescente em [h,+∞[
Extremos
Mínimo absoluto k em x=h
Máximo absoluto k em x=h
Concavidade
Voltada para cima
Voltada para baixo
Coordenadas do vértice
Podemos determinar as coordenadas do vértice V(h,k) de três formas diferentes.
1.º Processo - Transformar a expressão
Reescrevemos ax2+bx+c na forma a(x−h)2+k e lemos diretamente as coordenadas do vértice.
2.º Processo - Usar a fórmula
Calculamos a abcissa do vértice com h=−2ab e depois substituímos em f para obter a ordenada:
V(−2ab,f(−2ab))
3.º Processo - Usar dois pontos com a mesma imagem
Escolhemos dois valores de x que tenham a mesma imagem. A abcissa do vértice é a média desses dois valores, e a ordenada obtém-se por substituição.
Exemplos práticos:
Seja f(x)=x2−2x+3. Determinemos as coordenadas do vértice:
1.º Processo:f(x)=x2−2x+3=(x−1)2+2, logo V(1,2).
2.º Processo:h=−2×1−2=1 e f(1)=1−2+3=2. Logo, V(1,2).
3.º Processo:f(x)=3⇔x2−2x=0⇔x(x−2)=0, ou seja, x=0 ou x=2. A abcissa do vértice é 20+2=1 e f(1)=2. Logo, V(1,2).
Zeros - Fórmula resolvente
Para encontrar os zeros de f(x)=ax2+bx+c, resolvemos a equação ax2+bx+c=0 usando a fórmula resolvente:
x=2a−b±b2−4ac
A expressão b2−4ac chama-se binómio discriminante e representamo-la pela letra grega Δ. O número de soluções depende do sinal de Δ:
Δ>0: a equação tem duas soluções distintas
Δ=0: a equação tem uma única solução, x=−2ab
Δ<0: a equação não tem soluções reais
Exemplo - Zeros
Seja f(x)=x2−3x−10. Determinemos os zeros de f.
Resolvemos x2−3x−10=0, com a=1, b=−3 e c=−10.
Δ=(−3)2−4×1×(−10)=9+40=49
Como Δ>0, temos duas soluções:
x=23±7
Logo, x=23+7=5 ou x=23−7=−2.
Sinal da função quadrática
O sinal de f(x)=ax2+bx+c depende do número de zeros e do sinal de a:
Dois zeros (x1 e x2, com x1<x2):
a>0: f(x)>0 fora do intervalo ]x1,x2[ e f(x)<0 dentro
a<0: f(x)<0 fora do intervalo ]x1,x2[ e f(x)>0 dentro
a>0
a<0
Um zero (x1):
a>0: f(x)≥0 para todo o x∈R
a<0: f(x)≤0 para todo o x∈R
a>0
a<0
Sem zeros:
a>0: f(x)>0 para todo o x∈R
a<0: f(x)<0 para todo o x∈R
a>0
a<0
Inequações do 2.º grau
Para resolver uma inequação do tipo ax2+bx+c≤0 (ou <, >, ≥), seguimos estes passos:
Transformar a inequação na forma:
ax2+bx+c>0
ax2+bx+c<0
ax2+bx+c≥0
ax2+bx+c≤0
Determinar os zeros de f(x)=ax2+bx+c
Fazer um esboço da parábola
Identificar os valores de x que correspondem à condição pedida